Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
os montes, ah! os montes... / contam histórias tão distantes / de açaizeiros, igarapés, / dos tempos de antes, / lembranças, sussurros e saudades / aos montes. (Minas Gerais, rodovia Rio-Brasília, 20 de dezembro de 2005)
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quinta-feira, 25 de junho de 2009
sexta-feira, 5 de junho de 2009
a pena e as penas
Há dias em que pesa a pena.
Há tempos em que pesa a vida.
A própria existência é um punhal;
massacra, fere, tolhe
e confunde-se a vontade de estar vivo
com a de nunca ter nascido.
Não importa o céu azul,
não importam as crianças brancas, mimadas e felizes,
nem as festas nos bares,
nem os altares nas catedrais.
Tudo vazio,
tudo vão,
tudo oco.
Passa o dia,
passa a barca,
passam os transeuntes,
pára o tempo.
No fundo do quarto escuro,
um cobertor e um par de olhos escancarados.
O corpo inerte;
a alma transcendente;
as mãos frágeis.
Os lábios secos balbuciam algumas palavras,
tremem pelo frio,
temem pelas penas.
"O que será que me dá?
Que me bole por dentro,
será que me dá?..."¹
Vem, Pai eterno,
me sustentar!...
¹incidental: Milton Nascimento e Chico Buarque, O que será (À Flor da Pele)
Há tempos em que pesa a vida.
A própria existência é um punhal;
massacra, fere, tolhe
e confunde-se a vontade de estar vivo
com a de nunca ter nascido.
Não importa o céu azul,
não importam as crianças brancas, mimadas e felizes,
nem as festas nos bares,
nem os altares nas catedrais.
Tudo vazio,
tudo vão,
tudo oco.
Passa o dia,
passa a barca,
passam os transeuntes,
pára o tempo.
No fundo do quarto escuro,
um cobertor e um par de olhos escancarados.
O corpo inerte;
a alma transcendente;
as mãos frágeis.
Os lábios secos balbuciam algumas palavras,
tremem pelo frio,
temem pelas penas.
"O que será que me dá?
Que me bole por dentro,
será que me dá?..."¹
Vem, Pai eterno,
me sustentar!...
¹incidental: Milton Nascimento e Chico Buarque, O que será (À Flor da Pele)
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