Manuel Bandeira
Bembelelém
Viva Belém!
Belém do Pará porto moderno integrado na equatorial
Beleza eterna da paisagem
Bembelelém
Viva Belém!
Cidade pomar
(Obrigou a polícia a classificar um tipo novo de delinqüente:
O apedrejador de mangueiras.)
Bembelelém
Viva Belém!
Belém do Pará onde as avenidas se chamam Estradas:
Estrada de São Jerônimo
Estrada de Nazaré
Onde a banal Avenida Marechal Deodoro da Fonseca de todas as cidades do Brasil
Se chama liricamente
Brasileiramente
Estrada do Generalíssimo Deodoro
Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
Terra da castanha
Terra da borracha
Terra de biribá bacuri sapoti
Terra de fala cheia de nome indígena
Que a gente não sabe se é de fruta pé de pau ou ave de plumagem bonita.
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
Me obrigarás a novas saudades
Nunca mais me esquecerei do teu Largo da Sé
Com a fé maciça das duas maravilhosas igrejas barrocas
E o renque ajoelhado de sobradinhos coloniais tão bonitinhos
Nunca mais me esquecerei
Das velas encarnadas
Verdes
Azuis
Da doca de Ver-o-Peso
Nunca mais
E foi pra me consolar mais tarde
Que inventei esta cantiga:
Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
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Para não dizer que esqueci dos 395 anos completos da minha cidade quente, chuvosa e mangueirosa (e claro que não me esqueci, taí o Twitter que não me deixa mentir, rs!), vai aqui este post, que é um velho poema do "Manu" (Manuel Bandeira), poeta brasileiro, filho da Modernidade, e que teve o grande privilégio de conhecer a Belém da Borracha, filha dos áureos tempos da alta economia extrativista do látex amazônico.
Claro, ele não esteve em Belém no final do século XIX, mas pôde, ainda nos anos 30 e 40 do século XX, conhecer a cidade que um dia já foi capital da colônia portuguesa do Grão-Pará e que foi também a segunda cidade mais rica do Brasil no final do século XIX, ao lado da capital Rio de Janeiro.
Mário de Andrade também conheceu essa Belém aí, mas isso vale outro post.
E como será a minha Belém dos 400 anos?
A ela, Rainha das Marés (salve!), minha eterna homenagem a reverência.
os montes, ah! os montes... / contam histórias tão distantes / de açaizeiros, igarapés, / dos tempos de antes, / lembranças, sussurros e saudades / aos montes. (Minas Gerais, rodovia Rio-Brasília, 20 de dezembro de 2005)
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