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domingo, 8 de abril de 2012

A Escuridão me Basta


Thomas Merton (1915-1968)

Senhor, é quase meia-noite e estou te esperando na escuridão e no grande silêncio.
Lamento todos os meus pecados.

Não me deixe pedir mais do que ficar sentado na escuridão,
sem acender alguma luz por conta própria, nem me abarrotar com os próprios pensamentos
para preencher o vazio da noite na qual espero por ti.
Deixa-me virar nada para a luz pálida e fraca dos sentidos,
a fim de permanecer na doce escuridão da fé pura.

Quanto ao mundo, deixa-me tornar-me para ele totalmente obscuro para sempre.
Que eu possa, deste modo, por esta escuridão, chegar enfim à tua claridade.
Que eu possa, depois de ter me tornado insignificante para o mundo,
estender-me em direção aos sentidos infinitos, contidos em tua paz e tua glória.
Tua claridade é minha escuridão.

Eu não conheço nada de ti e por mim mesmo nem posso imaginar como fazer para te conhecer.
Se eu te imaginar, estarei errado. Se te compreender, estarei enganado.
Se ficar consciente e certo que te conheço, serei louco.
A escuridão me basta.



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Nicolau tinha uma ideia


Ruth Rocha

Era uma vez um lugar onde cada pessoa só tinha uma ideia na cabeça. [...] Um dia, apareceu um homem chamado Nicolau. [...] Logo que Nicolau chegou, foi procurar João. E contou sua ideia a ele. E João ficou com duas ideias na cabeça. João contou a ideia dele para Nicolau. E Nicolau ficou com duas ideias na cabeça.

Aí, Nicolau foi contar sua idéia para Maria. E Maria ficou com duas idéias na cabeça. E contou a Nicolau a ideia dela. Nicolau ficou com três ideias na cabeça. Nicolau falou com Pedro, com Manuela e uma porção de gente mais.

Nicolau ficou cheio de ideias. E as ideias de Nicolau começaram a se misturar umas com as outras e a formar muitas outras ideias. Então, as pessoas começaram a achar que era muito divertido ter muitas ideias na cabeça. [...]

E naquele lugar, agora, todo mundo tem uma porção de idéias.



sábado, 12 de março de 2011

sobre a vida (Leonardo Boff)

Jesus não veio para inventar uma nova religião, mas para trazer uma nova vida. Então vocês têm que aproveitar a vida, amar a vida, amar a vida em comunidade. [...] A vida está ameaçada porque não é amada.

Leonardo Boff

Rio de Janeiro
27 de outubro de 2008


sobre derrota e vitória (Leonardo Boff)

Nós fomos derrotados, mas não estamos vencidos. Nossa árvore talvez morreu, mas ficou a semente. Eu me sinto uma semente. A semente tem todo o vigor da árvore. E vamos ao encontro do derrotado, o vencido, o ressuscitado: Jesus, o Cristo cósmico, filho de Deus. Ele foi o primeiro derrotado, que foi ressuscitado para nos dar esperança da libertação.

Leonardo Boff

Rio de Janeiro
27 de outubro de 2008


sobre Roma (Leonardo Boff)

É fácil tornar-se ateu em Roma. Em Roma, eles estão mais próximos dos palácios dos césares, mais longe do barquinho de Pedro. Eles estão mais próximos dos palácios e mais afastados de Deus.

Leonardo Boff
Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2008


sobre a verdade (Leonardo Boff)

Quem possui a verdade está condenado ao fundamentalismo.

Leonardo Boff

Rio de Janeiro
27 de outubro 2008


sobre a libertação (Leonardo Boff)

A liberdade nunca é dada, ela deve ser conquistada. Por isso: libertação.

Leonardo Boff

Rio de Janeiro
27 de outubro de 2008



sobre Deus (Rubem Alves)

Uma vez me perguntaram se eu acredito em Deus. Eu respondi: "A saudade é o revés de um parto. A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu". Chico. Qual é a mãe que ama mais? É que arruma o quarto para o filho que vai voltar, ou a que o arruma para o filho que nunca vai voltar?

Rubem Alves

Rio de Janeiro
27 de outubro de 2008



sobre altares (Rubem Alves)

Eu construo meus altares à beira do abismo. O abismo continua escuro e silencioso; a despeito disso, eu construo meus altares – altares de música e de poesia. Pois o fogo me aquece e me ilumina.

Rubem Alves

Rio de Janeiro
27 de outubro de 2008


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Os 30 do André

Isabel Rocha

Que bela idade para se ter.
Boa idade é aquele que vivemos no momento que a temos.
Mas trinta é trinta.
Abandonamos as bobagens, enfim, da juventude e nos preparamos para a maturidade.
O que não se resolveu, resolverá por si mesmo.
As opções estão concluídas, somos o que somos e ponto.
Nada mais de velhos dilemas.
Nada mais de bagagem inúteis.
A casa está concluída. Sólida ou não.
Somos muito jovens ainda para viver plenamente.
Corpo e a alma unidos enfim
(depois se separam de novo, mais por causa do corpo que não vai acompanhar a alma).

A lentidão do tempo da infância e juventude não existe mais.
O tempo urge e começa a dar avisos.
Os anos voam e escoam por entre nossos dedos.
Num piscar de olhos chegam os quarentas e INTAS nunca mais.
Só ENTAS, cinquentas, sessentas, oitentas.....

Então aproveite cada minuto.
Se realize e se deixe realizar.

Não sei se dará para ir...
afinal o corpo aqui não acompanha mais os desejos da alma
e a alma já não consegue ter tantos desejos assim
me refiro ao doutorado que consome o pouco que sobra de energia do corpo e da alma.

MUITOS BEIJOS no meu eterno Garoto!
Da moça, não tão eterna
Isabel


Ao Sambaqui, eterna gratidão pela amizade e inspiração.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Comentário à 'Carta aberta ao blog "Um que Tenha" (e à mídia brasileira)'

André Coelho

(conferir postagem anterior: Cristofobia - vejam que situação!)



Essa é uma questão que já tá rolando há algum tempo, e que começa a se configurar em um fenômeno social seríssimo de discriminação e quase intolerância religiosa. E olha que, hoje, no Brasil, intolerância religiosa já é crime.

Não podemos admitir isso. Não é porque sejamos cristãos, pacificadores em nossa maioria, que tenhamos que aceitar calados essa separação que a mídia tem ensinado a sociedade a fazer, de que os cristãos (evangélicos) são pobres, burros e sem cultura.

As mulheres, os gays, os negros, os índios, todos têm conquistado seu espaço. Está na hora dos cristãos, com sabedoria, reinvidicarem os mesmo direitos, já que estamos numa república livre e pretensamente igualitária, ou que busque a igualdade.

Além disso, está na hora dos cristãos caírem em si e pararem de viver como se fossem guetos. Isso não é saudável, não é cristão, não é bíblico. Como bem citado aí em cima, a maré gospel brasileira de hoje vai completamente de encontro (contra) aos ensinamentos jesuanos de sermos "sal da terra e luz do mundo".

Só seremos a luz do mundo se estivermos no mundo. Só seremos sal da terra se permanecermos no mesmo "planeta" dos demais humanos. Foi por isso que Jesus não pediu a Deus que nos tirasse do mundo, porém que nos livrasse do mal.

É hora de parar, refletir, unir as forças e o pensamento para "brigarmos" por nosso espaço dentro da república brasileira. Precisamos espalhar esta idéia. Passar adiante situações como a vivida agora pelo Sérgio e pela Marivone. Levar essa discussão para nossas igrejas, para os grupos de estudo da Bíblia, salas de aula, universidades, consultórios, para as ruas, elevadores e para dentro de nossas casas.

Que Deus nos abençoe a todos com inquietação, discernimento, coragem, muita graça e muita paz.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

espiral

André Coelho




Gosto da espiral:
vai, vai, vai...
até que chega na mesma direção,
mas já em outro ponto,
e recomeça.

Não vive ciclos,
porque não volta;
mas está sempre sobre um ponto anterior.

Gosto da espiral
porque me faz pensar no começo,
no meio do caminho
e que tanta coisa
meio que se repetiu
(mas nem foi bem assim).

Apenas gosto da espiral.


Rio de Janeiro
28 de janeiro d 2007

pensamentos úmidos

André Coelho




- A chuva apascenta meu mormaço.

- Meus dias quentes não podem ser secos, porque sou peixe.

- Gotas me brotam paz.

- Chuva, pra mim, é Belém.

- Peixe... peixe-boi? Rs...

- "Tempo bom" é definitivamente relativo.


Rio de Janeiro
2007

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Retrato

Cecília Meireles

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Ritmo de Festa

A saudade é um dos temas recorrentes em mim. Assim como o o são o longe, o perto, o que se deseja, as decepções, as razões, a chuva, o êxtase, a alegria, a verdade, as decisões, et. al.

Isso me faz lembrar uma aula de Língua Portuguesa, que tive há não muito tempo aqui no Rio de Janeiro. O professor escolhia aleatoriamente um tema e cada aluno ia à frente da turma discursar durante 5 minutos sobre o tema escolhido.

Quando chegou a minha vez, já ao fim da aula, não havia mais temas na lista do professor. Ele iria me pedir para falar em "luto", mas, depois que alguém o lembrou de que esse tema já havia sido usado, ele modificou para "festa".

Sempre acho mais difícil falar sobre a alegria, porque é um sentimento óbvio. Quem está alegre faz festa. Porém quem está triste pensa, reflete. Já disse há muito tempo o pensador do livro de Eclesiastes que "Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração." (cf v. 7.2)

Fiquei de pé, dirigi-me à frente da turma, e pensei durante alguns segundos. À minha mente não vinham danças, nem comemorações, nem banquetes, nem festas de aniversário. Mas me veio a lembrança da chuva que cai nas tardes quentes de Belém do Pará.

Penso que a saudade é aquilo que faz cantar a alma. É aquilo que coloca a alma (e não o corpo) em festa. Acho muito curioso, por exemplo, a maneira como o carioca, em geral, não gosta de chuva. Costumo dizer que os cariocas, quando chove, ficam deprimidos. De fato, eles não saem de casa, ou saem por obrigação e passam o dia resmungando e dizendo que preferem o sol.

É claro. O sol, para o carioca, é festa. A cidade do Rio de Janeiro, nos dias ensolarados, fica mais bela, mais aproveitável, mais visível (e a cidade do Rio é uma cidade que precisa ser vista de longe). Sem falar nas praias. O sol coloca a alma do carioca em festa. Em contrapartida, a chuva é como se trouxesse o luto.

Nos primeiros anos morando no Rio, eu não conseguia entender isso. Para mim, um paraense de Belém, chuva é essência, lembrança e vida. Em geral, para o papa-chibé (belenense), a chuva coloca a alma em festa.

Existem poucas coisas boas como tomar banho de chuva numa tarde quente, de pés descalços. Ou então sentar-se do lado de dentro da casa e ver a chuva, ora pingando, ora jorrando pelos telhados e condutores. Ou então observar as nuvens negras cobrindo o céu no meio do dia, parando o vento, fazendo as luzes da cidade se acenderem, e derramando-se minutos depois em deliciosas chuvas torrenciais.

Poucas coisas são tão boas quanto, depois de uma forte chuva equatorial, assistir o céu se abrindo e o sol brilhando novamente. Só sabe quem já viu.

A saudade para mim não é luto. Saudade é trazer para perto o que não mais está perto. Saudade é presença, é certeza. Saudade é festa.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Via Dutra #1 :: Bandeira

Que importa a jaqueta, a calça de moleton, as meias, a manta?
— O que respiro é o frio.


Rodovia Presidente Dutra (Sampa-Rio)
3 de agosto de 2008

quarta-feira, 18 de junho de 2008

cobra norato: "no peito, a marca de pescador..."

A: fala seu mané.

hj vim no bonde conversando com um colega do seminário sobre pink floyd.. foi rápido, mas deu sodade doceis.. pra variar! ahuahuahuah..

e aih, como tah td?? tens estudado? abç, brother, sdd!!!


P: hehehee...
sempre c saudades...
ta td beleza, cara... e to estudando bastante sim... [...]

pois eh...
isso q ta rolando por enquanto
e tu?
fazendo u q da vida?
bjunda


A: né?

da vida.. to fazendo uma canção.


P: hehehe...

tu e poeta...


A: \o/

sô nada.
sô filho de cobra, parido em noite de lua, pequeno!
"filho de filho da floresta", como diz uma música da simone almeida..

e filho da floresta tem sempre mais canções do que a lua cheia.

[...] égua, gostei disso q eu falei. ^^

vou postar nossa conversa lah no blog.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

de saberes, seres e sonhares

Quem sabe o que se é, se o que se é pode não se ser?
Flor, 2007

Aquele que sonha, sabe.
Semeador, 2007

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

comentário para daniel foschetti

em resposta a Título:

não ando tão amigo da caneta. engraçado, desde o fim do ano passado, estou em pausa, uma pausa longa e profunda, em que muito pouco tenho escrito e fotografado. só a música não saiu de mim. no dia em que sair, acho que não terei mais essência do que é meu.

mas o tempo vira, o dia nasce, a noite vem e vai. e assim vamos nós, escritor. pensando. sendo. vivendo. vendo. escrevendo.

e escrevendo.

e escrevendo.
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